Existe muito hype em torno das fontes de alimentação de
grande capacidade, alimentado pelos próprios fabricantes e por reviews. Em uma
mesa de teste, uma fonte de 1000 watts pode parecer bem superior à uma de 600,
por exemplo, já que é capaz de fornecer muito mais energia e oferecer tensões
estáveis com um volume de carga muito maior. Entretanto, em situações reais a
história muitas vezes se inverte, já que fontes de grande capacidade não são
muito eficientes ao fornecer os apenas 100 ou 80 watts que um PC médio consome
enquanto está ocioso.
Outro fator que alimenta muitos mitos é a baixa qualidade
das fontes genéricas em geral, que apesar de serem vendidas como fontes de
"450 watts", muitas vezes não conseguem fornecer sequer 160 watts na
saída de 12V, pedindo água com a instalação de uma simples placa 3D mediana.
Frustrado, com a fonte de "450 watts", o dono
chega à conclusão que precisa de uma fonte de 600 watts ou mais, quando na
verdade precisa apenas de uma fonte de 300 ou 400 watts que realmente cumpra o
que promete. Como sempre, o melhor custo-benefício reside entre os dois
extremos e o primeiro passo para encontrá-lo é calcular o consumo aproximado do
seu PC.
O TDP é um indicativo do consumo típico de um componente,
que serve como orientação para os fabricantes de coolers, placas-mãe, fontes e
para os integradores. Ele não corresponde necessariamente ao consumo máximo
(que pode exceder levemente o TDP por breves períodos) mas serve como uma boa
estimativa do consumo contínuo máximo. Você pode encontra o TDP nas páginas de
especificações, ou simplesmente pesquisando no Google por "TDP
modelo".
Uma GeForce 9600GT, por exemplo, tem um TDP de 96 watts, mas
o consumo real pode oscilar entre menos de 40 watts enquanto o PC está ocioso,
e entre 80 e 90 ao rodar jogos 3D, com breves picos de consumo de pouco mais de
100 watts. A GeForce 9800 GX2, por sua vez, tem um TDP de 197 watts, mas o
consumo típico oscila entre 90 a 180 watts.
No caso dos processadores, a diferença entre o TDP e o
consumo em idle é ainda maior, devido ao gerenciamento de energia. Um Pentium
E2180 (65 nm, 2.0 GHz), por exemplo, tem um TDP de 65 watts, mas o consumo real
do processador varia entre 12 watts quando ocioso (com o EIST ativado no setup)
e 34 watts em full-load. Um Core 2 Extreme QX6850, por sua vez, tem um TDP de
130 watts e um consumo real entre 32 e 105 watts.
Uma simples para ter uma estimativa aproximada do consumo
máximo do PC é somar o TDP do processador e da placa 3D (os principais vilões),
adicionando mais 3 watts para cada módulo de memória, 12 watts para cada HD e
mais 35 watts para a placa-mãe e os componentes onboard. Em um PC com uma
9600GT e um E2180, com um único HD e dois módulos de memória, por exemplo,
teríamos um total aproximado de 214 watts.
Esta é uma estimativa pessimista, já que basicamente nos
limitamos a somar os valores máximos de consumo dos componentes. Ele é uma
indicação válida para dimensionar a fonte (já que dificilmente será excedido,
mesmo ao rodar benchmarks) mas na prática o consumo será bem mais baixo, já que
nem todos os componentes são 100% exigidos em um dado momento. Alguns
benchmarks chegam perto, mas mesmo eles sempre pecam em algum ponto.
Em resumo, se você multiplicar o valor por 1.5x (321 watts
no caso do exemplo), tem um bom valor para a capacidade de fonte, que permitirá
que ela trabalhe com um bom nível de eficiência e uma boa margem de segurança.
Talvez você esteja se perguntando por que não incluí o drive
óptico no exemplo. A resposta é que um gravador de DVD pode consumir até 20
watts durante a gravação, mas a menos que você pretenda gravar mídias enquanto
está jogando ou rodando benchmarks, não é necessário incluí-lo na conta, já que
gravar DVDs não usa intensivamente nem o processador nem a placa 3D, permitindo
que o consumo do gravador seja absorvido pela baixa demanda da dupla. Quando
ocioso, o drive entre em um modo de baixo consumo, onde usa apenas 3 watts, ou
menos.
Na web você encontra alguns calculadores de potência, que
oferecem uma estimativa mais próxima do que você terá em situações reais de
uso. Um bom exemplo é o calculador da eXtreme, que oferece um seletor
moderadamente detalhado dos componentes do PC e devolve uma estimativa
aproximada do consumo:
Uma outra possibilidade é medir o consumo você mesmo,
usando um kill-a-watt ou ou outro wattímetro e assim examinar a variação no
consumo de acordo com a tarefa:
Esta abordagem tem suas limitações, já que permite medir
apenas o consumo total do PC, sem ter como medir a eficiência real da fonte, ou
a distribuição da carga entre as vias de 3.3, 5 e 12V da fonte. O wattímetro
também não é capaz de exibir picos de fornecimento, que são atenuados pelos
capacitores da fonte, se limitando a exibir uma média que é atualizada uma vez
por segundo. Apesar disso, é o melhor que você pode fazer sem utilizar
equipamento especial.
Você pode ter uma estimativa aproximada do consumo real
multiplicando o consumo acusado pelo wattímetro pelo nível de eficiência da
fonte dentro da carga especificada disponível no teste do 80 PLUS. Se em um
dado momento o consumo total é de 200 watts e a fonte apresenta uma eficiência
de 82% nesse nível de carga, o consumo real aproximado seria de 164 watts.
Novamente, é importante enfatizar que este não é um valor
exato, já que a eficiência real varia de acordo com a temperatura e a tensão de
entrada, mas permite que você tenha uma boa aproximação.
Outro uso comum é usar o wattímetro para medir a diferença
de consumo usando fontes diferentes, usando um nobreak ou qualquer outra
variação na configuração. A melhor abordagem nesse caso é criar uma rotina de
tarefas ou benchmarks e medir o consumo médio em cada uma.
Aplicando estas dicas, você vai logo perceber que na grande
maioria dos casos uma fonte com 400 watts reais é mais do que suficiente para a
maioria das configurações. Em geral, fontes de maior capacidade são necessárias
apenas ao usar duas ou três placas 3D em SLI/CrossFire ou ao fazer overclocks
extremos em processadores quad-core.
Com os processadores atingindo TDPs de 130 watts e placas 3D
ultrapassando os 150, a tendência geral é que os componentes passem a consumir
menos energia no futuro e não o contrário. Sistemas com processadores gulosos e
várias placas 3D continuarão existindo, mas eles serão sempre plataformas de
nicho.
Espero que tenham gostado, deixe seu comentário até a próxima !!
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